| DEFINIÇÃO Permacultura da palavra
original Permaculture© -
Permanent Agriculture (culture) é um sistema de planificação e criação de
habitats humanos em harmonia com a Natureza.
Desenvolvido à 30 anos por Bill Mollison, um fervoroso
ecologista Australiano e David Holmgreen, estes sistemas surgem como resposta alternativa às
agressões do homem ao meio ambiente e consequentemente a si mesmo. Não são
métodos novos nem se "reinventa a roda", mas sim um retorno a práticas
ancestrais de observação, respeito e trabalho em colaboração com a
Natureza como um todo. É uma atitude de vida positiva que visa a sustentabilidade agrícola,
social, cultural e económica através de métodos de planificação e
concretização apropriados, eficientes e produtivos cujos padrões se
assemelham ou imitam a Natureza.
A Permacultura não é um sistema especializado e único numa determinada
actividade mas sim um método de integração global de vários componentes
da actividade humana, tais como agricultura, piscicultura,
silvicultura (...), arquitectura, engenharia, paisagismo, ambiente, economia,
sociologia, cultura, etc..
Os entusiastas de Permacultura por todo o mundo exprimem em grande
parte as suas análises, planos e criações no campo ou na agricultura, mas
existem também excelentes exemplos dos mesmos princípios aplicados à
cidade, ou a qualquer actividade humana mesmo que não tenha relação
directa com a Natureza. Por exemplo um escritório ou uma loja pode ser
estruturado e organizado segundo os princípios da Permacultura. Nestes
casos a associação com o Feng Shui é muito benéfica pois para além da
funcionalidade e eficácia dos métodos de Permacultura a análise energética
do Feng Shui complementa o plano de modo a surtir um ambiente aprazível,
equilibrado e eficaz. Estas abordagens apesar de aparentemente parecerem
algo técnicas ou esotéricas tem um impacte na Natureza.
ÉTICA
Todas as manifestações humanas se regem por determinados parâmetros de
acção e reacção, sejam vontades, desejos, impulsos intuitivos e
instintivos, leis, valores morais, espirituais, culturais, materiais,
filosóficos, éticos, etc... Em Permacultura
Bill Mollison
resumiu três valores éticos básicos que estão intrinsecamente ligados
entre si, sem que os dois primeiros não poderão existir a longo prazo um
sem o outro.
Cuidar da Terra - Todos os seres vivos
animados e inanimados seja um grão de terra ou uma montanha, uma planta
minúscula ou uma floresta, uma formiga ou uma baleia, do mar ou da terra,
do ar e em última análise todo Universo.
Cuidar das pessoas - Este valor ético
está interligado com o anterior pois não é possível cuidar bem das pessoas
(começando por nós próprios) sem cuidarmos da terra e vice-versa. Assim,
todos os seres humanos tem o dever de procurar e o direito a receber
alimento, abrigo, cuidados de saúde, amor, educação, trabalho, entre
outras necessidades para que assim se possam manifestar como seres
participativos no longo processo da Vida.
Aplicar limites ao consumo e partilhar os recursos - Para que todos
os seres existentes tenham oportunidades semelhantes de se manifestarem, é
importante que cada um de nós contribua com dedicação aos outros. Assim
que cada um de nós conseguir garantir as suas necessidades básicas
(alimentação, abrigo, saúde, educação, ...) deverá estabelecer os seus
limites e estender os seus
conhecimentos, capacidades e valores a ajudar os outros a consegui-lo
também. Cuidar da terra e das pessoas só é possível se existir
colaboração entre todos partilhando os infindáveis recursos que o
Universo nos proporciona, no entanto para que estes recursos sejam
equitativamente distribuídos no tempo e no espaço é necessário que cada
individuo saiba o que é ter o suficiente e tenha somente o suficiente.
"Aquele que sabe o que é o suficiente,
terá sempre o suficiente."
Lao-Tze
PRINCÍPIOS
Ao planificar-se um habitat humano, uma casa,
prédio, bairro, cidade, uma horta,
jardim, floresta, ou qualquer outra acção de intervenção humana deverão
ter-se em conta alguns princípios que regem a estabilidade e
sustentabilidade do projecto.
Estes princípios aplicam-se a qualquer
espaço independentemente da localização, tamanho ou aplicação e são
linhas de bom senso que nos guiam na elaboração da nossa intervenção.
Posição relativa - Cada elemento é
posicionado relativamente a outro(s) de forma a criar uma relação
sinergética em que cada um beneficia de alguma maneira do outro. Por
exemplo um pequeno lago posicionado junto a uma janela da casa serve de
fonte de iluminação e aquecimento natural para o seu interior por acção do reflexo da luz
solar e por sua vez a posição elevada da casa actua como corta-vento
evitando que haja menos evaporação e redução da vida à volta do lago.
Cada elemento tem várias aplicações -
Uma sebe de frutos silvestres providencia abrigo para pequenos animais,
corta-vento, sombra, frutos, matéria orgânica, beleza paisagística,
bio massa, etc.
Cada função importante é suportada por
vários elementos - A energia eléctrica pode provir da rede normal, mas
deverá também provir, por exemplo, painéis solares, turbina eólica,
gerador por moinho a água, entre outros.
Planificação eficiente dos recursos
energéticos do local (análise e distribuição por sectores e zonas) -
Um curso natural de água (sector) localizado no terreno acima da casa deverá ser
aproveitado para canalizar água para a rega das hortas mais abaixo. Estas
por sua vez relativamente à casa (zona) deverão ser posicionadas de modo a
facilitar os acessos consoante as prioridades de colheita.
Usar prioritariamente recursos biológicos
renováveis em vez de recursos provenientes de combustíveis fósseis não
renováveis - Energia solar, vento, água, gás metano proveniente da
compostagem orgânica, animais, matéria orgânica, em vez de petróleo e derivados.
Promover a reciclagem energética no local
- Todos os resíduos deverão ser reciclados pelo sistema local
transformando-os num recurso energético para outra aplicação. Por exemplo
os restos de alimentos deverão ser decompostos num local apropriado -
vulgarmente conhecido por composto - onde se irão transformar em matéria
orgânica fertilizante do solo, ao mesmo tempo através de um bio digestor se
poderá obter gás metano libertado durante a fermentação. Este gás poderá alimentar um fogão normal.
Promover a sucessão natural das plantas afim
de criar solos e habitas favoráveis - Por exemplo guardar e re-usar as
sementes da colheita do ano anterior e assim por diante. Estas sementes
adquirem ao longo dos anos propriedades de desenvolvimento e resistência
adaptadas às diversas características do solo e clima.
Promover a Bio diversidade através da
poli cultura com ênfase para espécies benéficas - As culturas sinergéticas
entre diferentes plantas originam ecossistemas cujas espécies
beneficiam mutuamente das características das vizinhas. Estes benefícios
passam por diferentes tipos de raízes, sombra, fixação de azoto,
protecção do vento, redução de pragas, entre outros.
Praticar e efeito de periferia e padrões
naturais - A Natureza mostra-nos em tudo o que nos rodeia os seus
padrões através de formas circulares, espiralicas, ondulações, bifurcações, deltas, entre
muitos outros. Por exemplo uma cama hortícola plantada em linhas onduladas
comporta mais pés do que semeadas em linha recta.
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